“Fui demitida após contar que estava grávida”. “Logo que voltei da licença-maternidade, meu chefe me dispensou.” Histórias como essas são contadas muitas vezes quando o assunto é ser mãe e trabalhar. Afinal, é possível mesmo conciliar maternidade e carreira profissional?

Nos últimos anos, a participação das mulheres no mercado de trabalho sofreu grandes mudanças. Vale ressaltar que, há aproximadamente 50 anos, as mulheres casadas precisavam de autorização de seus maridos para poderem trabalhar. Aos poucos, elas foram conquistando seu espaço e ganhando as empresas. Atualmente, estão presentes em todos os segmentos de negócios e conquistaram direitos antes inimagináveis. Contudo essa realidade ainda está longe de ser igual à do público masculino.

As mulheres ainda enfrentam vários desafios, entre eles conciliar trabalho e cuidado com os filhos, reflexos de um mercado hostil e implacável em relação à maternidade. Falta acolhimento, sensibilidade e respeito com as mães que retornam ao trabalho com um novo estilo de vida. 

Segundo pesquisa realizada pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), em 2018, as mulheres estão perdendo seus empregos depois de terem filhos e, depois de dois anos, metade saem do mercado – na maior parte das vezes por iniciativa do empregador. Realidade que atinge principalmente mulheres com nível educacional mais baixo. O estudo indica que, no Brasil, a licença-maternidade de 120 dias, por si só, não é capaz de reter as mães no mercado de trabalho, demonstrando a importância de outras políticas por parte das empresas que sejam mais eficazes para auxiliar e proteger as mães.

Em muitos casos, as companhias possuem rotinas inflexíveis, em outros, as mulheres não têm com quem deixar seus filhos e não voltam ao trabalho ou até fazem acordos para terem acesso à seguridade social, como o FGTS. Para piorar, ainda sofremos com desigualdade salarial e de cargos, além da discriminação. Diante desse cenário, muitas mães decidem se enveredar pelo empreendedorismo ou veem nele uma necessidade.

Empreendedorismo e empreendedorismo materno

O empreendedorismo é uma atividade que está sendo, cada vez mais, conquistada pelas mulheres. Todavia, elas ainda encontram muitas dificuldades nesse campo. Quando falamos em empreendedorismo feminino, logo você pensa em várias jovens, habituadas ao universo digital, na busca por resultado financeiro, com ideias incríveis, trabalhando madrugada adentro, tirando uma soneca durante o dia e ainda com tempo de sair com as amigas, tudo muito legal. No empreendedorismo materno, a realidade é outra.

Um estudo feito pela Rede Mulher Empreendedora (RME) mostra que 53% das empreendedoras são mães, e 75% das mulheres abrem uma empresa após a maternidade, conciliando suas atividades profissionais com as responsabilidades familiares. Às vezes por terem perdido o emprego e escolhem tentar um novo negócio, outras vezes porque não têm escolha e percebem que empreender é sua única chance no mercado.

As empreendedoras vêm de uma carreira produtiva, com performances bem sucedidas, muitas vezes já possuem uma formação, mas quando têm filhos, não conseguem ter a mesma força para implementar seu negócio. Assim, a mulher mãe não tem a mesma liberdade de escolher seu horário de trabalho; muitas vezes não possuem babá; o conceito multitarefa se intensifica, pois assumem uma jornada tripla (casa, trabalho e filhos); não conseguem ter noites apropriadas de sono ou pausas estabelecidas; não têm tempo ainda para fazer alguma especialização ou não possuem recursos nem planejamento.

Outra questão enfrentada pelas empreendedoras é a taxa de juros para concessão de crédito, que pode ser 3,5% maior do que a concedida para os homens, restringindo as possibilidades para elas. O que não se justifica quando analisamos o índice de inadimplência em relação ao gênero, uma vez que os indicadores femininos são mais baixos, sendo 3,7%, enquanto o masculino é 4,2%. Além disso, segundo o Sebrae, as empreendedoras também possuem menos acesso a linhas de crédito para expandir seu negócio.

Afinal, empreender ou não empreender? Eis a questão!

Eu já contei um pouco da minha história para vocês, mas vou retomar um pouco. Após ter fechado uma empresa de distribuição de produtos de limpeza e manutenção predial, eu não sabia o que fazer. Estava descapitalizada, já era mãe de dois filhos e vivia um casamento falido. Sempre tive vocação empreendedora, então, comecei a buscar um negócio, mas tinha que ser de baixo investimento, que me desse flexibilidade de horário, por causa das crianças, e boa rentabilidade para que eu conseguisse manter o padrão de vida delas. Praticamente o negócio perfeito! Seria possível?

Então, pesquisei várias alternativas até ser convidada por uma amiga para ingressar na sua imobiliária. Observei muito como era o negócio, aprendi todo o processo que envolve a transação imobiliária, fiz uma especialização, tirei o registro no Creci (Conselho Regional de Corretores de Imóveis) e me tornei corretora imobiliária. Não foi fácil! Tive medo e fracassei em muitos momentos. Empreender é uma jornada dura.

Ter uma imobiliária de sucesso já não é fácil, ainda mais para uma mulher. O mercado imobiliário ainda é bem masculino, mas a presença feminina vem crescendo a cada dia. De acordo com uma pesquisa feita pelo Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci), a participação feminina no setor cresceu mais de 144% somente na última década. Um dado incrível se a gente imaginar que até meados do século passado não era permitido o ingresso de mulheres na corretagem, segundo a Lei nº 556 de 25 de Junho de 1850. Graças a sua revogação em 1958, as mulheres passaram a ter o direito de atuar no mercado imobiliário, mas mesmo assim enfrentaram muito preconceito. Só a partir da década de 1970 que a participação feminina no setor começou a crescer de fato.

Não obstante, no mundo dos negócios, a liderança feminina nem era considerada. Eu mesma, quando comecei passei por situações em que a minha capacidade era colocada à prova. O preconceito ainda era muito forte nos anos 2000 e vinha até das pessoas conhecidas. Isso porque a mulher tinha a “função” de apenas cuidar da casa, dos filhos e dar suporte ao marido, vivendo na dependência do chefe do lar – eu mesma já passei por isso. Vejo a questão culturalmente enraizada, onde somos por vezes colocadas como frágeis, ingênuas ou até incapazes de nos realizarmos. Nos piores casos, também acontece violência doméstica, e, sem autonomia e recursos próprios, a mulher se percebe presa ao homem, ficando amedrontada em fazer uma denúncia ou sair de casa.

Por muito tempo, tentaram impor a mim que eu não conseguiria dirigir uma empresa, ainda mais com dois filhos. Já passei pelo constrangimento de alguns clientes até pedirem para negociar com um homem. Mas, diante de todas as dificuldades, eu não desisti. Hoje sou uma geradora de renda e estou no mesmo patamar que meu marido nesse quesito e também, como muitas vitoriosas desse Brasil, cuido da casa e dos filhos.

Modelo de negócio empreendedor

Empreender significa nada mais, nada menos que encontrar soluções, realizar projetos e transformar oportunidades em negócios lucrativos. A verdade é que não existem fórmulas prontas, mas alguns atalhos que encurtam sua caminhada rumo ao sonho de se tornar bem-sucedida. O segredo é assumir uma postura confiante, focar no planejamento, encontrar uma boa estrutura de trabalho e se preparar para os desafios.

Algumas mulheres encontraram na profissão de corretora, e eu sou uma delas, a possibilidade de conciliar maternidade e trabalho. Embora essa profissão não dê direito à licença-maternidade, ela tem diversas vantagens, como:

  • Maior autonomia e flexibilidade: você elabora seu modelo de negócio e monta sua agenda conforme as suas necessidades;
  • Maior independência financeira e poder de decisão: você é quem administra sua vida financeira e toma as decisões no seu negócio e na sua vida, sem depender de ninguém;
  • Rentabilidade: não há salário fixo, contudo a recompensa é muito maior. Na corretagem você recebe comissões sobre as transações imobiliárias das quais participa. A quantia depende do potencial da profissional, não é limitada;
  • Sem limite de idade: não existem restrições quanto à idade da profissional, pois o trabalho é adequado tanto às jovens como aos mais experientes e até aposentadas.

Nós, mulheres, temos muita relação com esse mercado, pois temos visão 360°, atenção aos detalhes, capacidade de ouvir e sensibilidade de entender. E as mulheres do mercado imobiliáriotêm mais paciência para atender um cliente complicado, conseguem usar melhor do que ninguém a empatia e fugir de conflitos desnecessários, além de serem extremamente organizadas com suas rotinas, atendimentos, reuniões e burocracias. Muitas delas nem pensavam em seguir a carreira, pois não tinham experiência ou sequer tinham relação com a venda de imóveis. E tudo aconteceu pelo simples desejo de ser grande e chegar lá.

Por isso, gostaria de ressaltar, então, duas grandes lições aprendidas e que toda profissional deve aprimorar para atingir seus objetivos:

  • A primeira é a RESILIÊNCIA: ser capaz de mudar quando for necessário, superar obstáculos e resistir à pressão de situações adversas;
  • A segunda é o RELACIONAMENTO: bons relacionamentos trazem bons resultados. A minha amiga sabia do meu potencial de negociação e da minha sede de vencer, por isso não hesitou em me convidar a mudar de carreira.

Não é fácil ser mulher, ser a provedora de um lar por muitos anos sozinha e gerir uma imobiliária. Mas quero ressaltar que você, mãe, que está fora do mercado de trabalho por causa da maternidade ou que não se adaptou às rotinas engessadas das empresas, você pode ser empreendedora e mudar sua vida, basta começar. Você merece buscar sua realização pessoal, ser mais valorizada, ter mais segurança e rendimento sem ter que escolher entre o trabalho e seus filhos. Foque nas oportunidades e faça acontecer. Seja também uma mãe empreendedora de sucesso!

Para te ajudar nessa jornada, preparamos um material que vai te ajudar a começar seu negócio. É só baixar aqui. Na Master Franquia Regional RE/MAX Rio de Janeiro – Norte, na qual eu sou a diretora, 57% do time são mulheres. Cada uma com seu objetivo e sua história de vida. Portanto, não importa o tamanho do seu sonho, nós ajudamos você a realizá-lo. Bora conversar?

Forte abraço,

Glauce Santos

Diretora Regional

RE/MAX Rio de Janeiro Norte.

Deixe uma resposta